Uma história que não se repetiu

O mesmo adversário. A mesma sequência de vitórias. A mesma jornada. O mesmo árbitro.
Haverá poucas coisas tão eficazes como uma péssima memória de um passado recente para deixar uma equipa, pelo menos, em estado de alerta e, no fundo, fazer pela vida para evitar que a história se repita.
Um ano depois do descalabro no Bessa à sexta jornada, o Benfica deu sinais de que é hoje uma equipa bem mais madura e arrancou um triunfo seguro frente a um Boavista que se apresentou arrumado e ousado q.b. no Estádio da Luz.
Pela primeira vez, Jorge Jesus juntou Darwin e Yaremchuk de início na frente de ataque e, já agora, Rafa a titular na Liga 2021/22.
Tal como Jesus, do lado dos axadrezados João Pedro Sousa montou a equipa em 3x4x3, apostando numa defesa muito subida. Uma estratégia de risco que resultou na maioria das vezes, mas que acabou por custar dois golos, tantas foram as vezes em que o líder da Liga procurou explorar a profundidade através de passes de longa distância da defesa para o ataque.
Foi dessa forma que nasceu a primeira jogada de perigo da noite (Darwin) e foi também assim que as águias fabricaram o 1-0 ao minuto 14, da autoria do uruguaio a passe de Diogo Gonçalves.
A vantagem algo madrugadora premiou uma entrada acutilante do Benfica, que a partir daí, manteve o domínio territorial do jogo mas não conseguiu, durante largos minutos, acossar uma pantera que começou a ficar defensivamente mais calibrada.
Não fosse o remate perigoso de meia distância de Gustavo Sauer após uma diagonal da direita para o centro e arriscaríamos escrever que nada faria prever o golo dos visitantes à meia hora. Talvez por circular a bola a seu-prazer, a equipa de Jorge Jesus deixou-se cair no perigo a que o excesso de confiança pode levar. Weigl permitiu um corte de Seba Pérez no início do processo de construção dos encarnados e Sauer atirou forte e colocado para o 1-1.
Acusar o golo? Só se for pela positiva. Dois minutos bastaram para o Benfica se recolocar em vantagem através do homem que falhara instantes antes: Julian Weigl, numa bola parada, assinou o segundo golo dos encarnados pelos ares.
Depois, o Benfica teve cabeça fria para gerir os tempos do jogo. Os minutos finais da primeira parte chegaram sem grandes notícias para dar e a etapa complementar arrancou com duas: Lazaro de um lado; Ntep do outro.
Nos 15 minutos iniciais da segunda parte houve muito jogo junto das duas balizas. O Benfica continuou a ter mais bola e ameaçou o terceiro, mas o Boavista tornou-se mais capaz de chegar ao último terço através de transições rápidas.
Ainda que com dificuldades para discutir a posse de bola, os axadrezados eram agora uma equipa mais a imagem de João Pedro Sousa. Destemida e proativa.
A linha defensiva, essa, continuava subida e foi dessa forma que o Benfica – sagaz – trabalhou o terceiro golo. Rafa, hoje tendencialmente mais longe da baliza por ser mais um terceiro médio do que um segundo avançado, explorou a profundidade para receber um passe longo de Lucas Veríssimo e serviu depois Darwin para o 3-1 à passagem da hora de jogo.
Os minutos seguintes foram, talvez, os melhores do Benfica no jogo, sobretudo no número de oportunidades. Depois de Bracali ter evitado males maiores com duas ou três grandes intervenções, a pantera reergueu-se melhorou na reta final e terminou o jogo com mais remates. Vale o que vale, mas é um sinal da boa imagem deixada pelos axadrezados, que foram fiéis a uma ideia de jogo tão positiva quão difícil de pôr em prática quando o desequilíbrio de forças é tão evidente.
Um ano depois daquela sexta jornada que representou o princípio do fim do campeonato do Benfica, a história não se repetiu e os encarnados provaram uma vez mais que em 2021/22 são uma equipa drasticamente diferente. Pelo menos têm-no sido até agora.
Indiscutivelmente.

Celebração das crismas na Santa Cruz

Nestas útlimas semanas a Missão Santa Cruz esteve muita occupada que seja batismos, profições de fé ou crismas, a igreja está sempre em movimento e como muitos dizem, “É sempre p’rá lá”.
Podemos observar que a igreja pode receber mais assistências às cerimónias religiosas especialmente para alegrar a nossa comunidade e podemos notar que no passado domingo 12 de setembro iniciou-se as profissões de fé com 12 jovens preparado pela catequista Lurdes, e foi presidida pelo padre adam e em que neste domingo se dirigiu aos jovens catequista falando muito na fé em que a fé era muito importante e deve ser nas “obras” praticando actos de caridade e não esquecer o amor ao próximo.
A celebração da eucaristia com a crisma em Santa Cruz presidida pelo Senhor Padre Adam apresentando os responsáveis desta preparação são a Sra. Sara Batista e a senhora Rosa Torres. Nesta celebração a homilia premiada pelo celebrante se classificou muito na descida do Espírito Santo.
“Queridos jovens, o dom do Espírito Santo que ides receber, vai marcar-vos com um sinal espiritual que vos tornará mais conformes com cristo e mais perfeitamente membros da sua igreja. (…)As línguas de fogo se repartiam e pousavam sobre cada um deles. Todos receberam dons do Espírito Santo e esses dons os unem, dão entendimento sabedoria, temor de Deus, fortaleza, ciência, conselho e inteligência. Eles passam a se entender, mesmo sendo tão diferentes uns dos outros. Assim o Espírito os capacita para anunciar as maravilhas de Deus na sua própria língua, isto é, faz com que as pessoas entendam a mensagem e se entendam.
O Espírito renova nos e recria nos para fazer novas todas as coisas, colocando em comum nossa diversidade de dons. Somos diferentes, temos dons distintos, porém temos que estar unidos no mesmo Cristo Senhor. Essas diferenças de dons, de serviços, de ministérios fazem a riqueza da nossa igreja.
Os apóstolos haviam recebido o Espírito Santo no dia do Pentecostes, segundo a promessa do Senhor, e tinham por isso o poder de completar aquilo que fora começado no Batismo, como lemos no livro dos Atos dos Apóstolos.
Assim fez São Paulo ao impor as mãos sobre os que tinham sido batizados, e o Espírito Santo desceu sobre eles e começaram a falar várias línguas e a profetizar”.
Queremos dar os parabéns a todos por ter feito a sua profissão de fé e as crismas. São dois eventos muito importante na vida dos nossos jovens da comunidade, e desejamos mais uma vez que tudo irá bem no futuro e até à próxima.

As eleições que custaram um balúrdio de dinheiro, e tudo fica na mesma

Eu não sou pluralista, e ainda mais, não gosto de jogar com o dinheiro dos outros. Quando vi que havia eleições, eu disse-me que o primeiro ministro do Canadá quer uma maioria clara.
E, durante 30 e tal dias, tivemos a certeza que todos os partidos estavam a dar prendas eleitorais, dando uma nova possibilidade de governar um país e ao mesmo tempo, abrir as portas num futuro que tem muitas incertezas para um futuro brilhante, forte e uma economia que vai ser um orgulho através do mundo.
Segunda-feira às 22h26 TVA Nouvelle, todos os médias quebequenses anunciaram que os liberais formarão o 44º governo do Canadá, mas, não quis especificar se será maioria ou minoria.
A luta continuou durante mais uma hora.
E o resultado, é que Justin Trudeau e o seu partido ficará, mais uma vez, um partido minoritário. O que, para o Primeiro Ministro do Canadá, é uma mensagem clara, ele não vai ter a maioria então ele vai dever se organizar de outra maneira para poder ganhar pontos na assembleia. Tudo isso custou 600 milhões de dólares e dividir mais o país. Olhando para as eleições de 2019 e 2021, ele perdeu mais um bocadinho… Será que ele vai conseguir lutar durante quatro anos no parlamento ou será que ele vai refazer eleições dentro um ou dois anos.
Uma coisa é certa…
Nada mudou mas gastou-se 600 milhões nesta aventura.
É dificil acreditar que estas eleições puxou 2 anos a mais, o Partido Liberal.
Será que tudo isso foi positivo?
Não sei…
Acho que Justin Trudeau fica no poder e é o homem que todos querem mas não quer dar todo o poder, e, este balanço não está muito forte, só falta uma pequena chave e o resto não sabemos…
Agora devemos aprender desta experiência e ver o que aconteceu nos escritórios de votos aqui em Montreal, e em Blainville, onde muitas pessoas ficaram em linha durante mais de uma hora para poder votar.
E, o pior é que as 22h30 várias pessoas estavam ainda em linha para votar, e mesmo através do Canadá surgiu esse problema, houve muitos problemas para ir votar, e quando a malta estava em linha, o anuncio do vencedor já sido divulgado, e isso não ajudou nestas eleições apresentando um facto que houve muita gente que não foi votar.
É importante de tomar notas desta situação, porque em novembro vamos estar de volta as urnas para o municipal e espero que estes problemas serão resolvidos.
Pouco a pouco os chefes vieram dar a sua mensagem, em primeiro foi o chefe do partido PPC ‘People’s Party of Canada’, Maxime Bernier, mesmo se ele perdeu ele disse claramente: “Os canadianos que se opõem à crescente tirania e ao governo autoritário precisam de ter uma voz. Nós somos esta voz”, e isso foi dito em Saskatoon. Este partido não teve um eleito, mas podemos notar que a percentagem aumentou foi até 5,18%, E, isso é uma vitória para este partido que está pouco a pouco a impôr-se nas eleições federais.
Erin O’Toole perdeu e discursou em Oshawa, aceitando a derrota mas que parece que ele vai continuar até à próxima eleição, e quem sabe,… se ele joga bem e apresenta-se bem, nunca podemos dizer que ele vai ter o direiro de dirigir o Canadá como o primeiro ministro do Canadá.
Há pouco tempo falei com Lucilia Miranda, ela disse-me que ela não pense ganhar mas aprender e estar presente nestas eleições é uma riqueza incalcúlavel porque ela aprendeu muito, e que nas próximas eleições ela vai conhecer muito mais o terreno e vai saber mais sobre como funciona um candidato e como trabalhar para ganhar.
Ela conseguiu ter 1973 votos, ou seja 4,2% dos votos no bairro Honoré Mercier, é pena ela trabalhou muito para conseguir isso, acho que nas próximas eleições ela vai ganhar ter mais conhecimentos e vai poder ter possibilidades.
Às uma da manhã, tinha 32 candidatos que estavam a ganhar. São, portanto, resultados iguais à 2019, onde teve 32 candidatos eleitos, então o partido não avançou nem recuou, disse o líder do partido, Yves-François Blanchet, que sonhava em conquistar oito cadeiras a mais.
As uma hora, mais ou menos o chefe do NDP, Jagmeet Singh, ele começou o seu discurso felicitando todos os que participaram nesta eleição. “Quero reconhecer o trabalho de todos os chefes e suas equipes e dar os parabéns ao Primeiro-Ministro pela sua reeleição. Também quero agradecer aos canadianos que foram votar ”.
Ele levou alguns minutos para se dirigir aos quebequenses. E agradecer Alexandre Boulerice pela vitória, o único candidato que ganhou no Quebeque, e reiterou que o NPD está aqui para os quebequenses e avisou que vão continuar a lutar pelo Quebeque”.
E, para finalizar esta noite, Justin Trudeau deu a sua mensagem às 1h20 da manhã. Apresentando algumas das suas promessas, e agradeceu os canditados e seus líderes. Agradece a democracia e vai continuar a representar todos, mesmo se votaste ou não, ele estará lá para cada um de nós. Um discurso completamente bilingue e bem dinâmico.
“Obrigado pelo sacrificio”, lindas palavras do Primeiro Ministro Justin Trudeau.
É importante de notar que Alexandra Mendes do Partido Liberal ganhou, em grande, a sua região Brossard-Saint-Lambert.

Escrito por Sylvio Martins

JORGE SAMPAIO 1939-2021

Comentário ao artigo “JORGE SAMPAIO 1939-2021” PUBLICADO no jornal “A VOZ DE PORTUGAL” EM 14-9-2021”
O falecimento de Jorge Sampaio – que foi dirigente estudantil na década de 60, resistente antifascista, fundador do Movimento da Esquerda Socialista e do Grupo de Intervenção Socialista, secretário de estado, dirigente e secretário-geral do PS, presidente da câmara municipal de Lisboa e presidente da República durante 10 anos – foi ocasião que o Senhor Jorge Correia (cronista do jornal) achou que vinha a calhar para prosseguir com a sua polémica ideologicamente marcada contra os princípios políticos que atribui ao Falecido, ao PS e à esquerda em geral e que, segundo a sua opinião, são o obstáculo maior à resolução satisfatória dos principais problemas do país.
Analisemos o seu artigo nos seus pontos essenciais.
Diz ele que o “desaparecimento do ex-presidente Jorge Sampaio” o fez recordar o “homem que lutou pela esquerda, o homem preocupado com a condição humana”.
Desta frase retiro a ideia de que o cronista estabelece uma relação de correspondência entre a preocupação com a condição humana e a esquerda politicamente ou ideologicamente considerada.
Assim, se numa das proximas eleições aparecer por exemplo um partido inititulado Iniciativa Canibal (I.C.), ou outro que dê pelo nome de Frente Eleitoral dos Escorpiões (F.E.E.) ou de Víboras e Lacraus Associados (V.L.A.) teremos concerteza de reconhecer, segundo o próprio critério do cronista, que esses hipotéticos partidos serão necessariamente de direita.
Esta hipótese, de uma destas possíveis agremiações políticas ser registada para fins eleitorais, ter direito a tempo de propaganda gratuita na TV e, eventualmente alguns deputados na Assembleia da República só não se verifica porque ainda há um limite, embora cada vez mais frágil, ao que o eleitor comum, mesmo distraído, está disposto a engolir. A multiplicação demencial dos partidos reconhecidos oficialmente nos últimos anos não augura nada de bom neste campo. E o pior é que se não estou em erro, alguns dos atrás citados já figuram no parlamento actuando embora sob pseudónimo.
Temos pois, para rematar sobre este ponto, que o cronista identifica a esquerda com o homem preocupado com a condição humana. Pela nossa parte estamos de acordo a 100% mas é possível que alguma gente de direita rejeite este monopólio de peoocupação e reivindique também um bocadinho para si.
Um pouco mais adiante estabelece o cronista outra correspondência, esta entre oposição ao regime salazarista e posicionamento político à esquerda, correspondência historicamente justa em 99% dos casos e que em Sampaio seria “natural”. Devemos assim deduzir que a “esquerda política” é continuadora “natural” da resistência ao salazarismo em que as forças de esquerda predominavam de forma esmagadora. Mas então de que lado estava a direita no tempo da ditadura? E de que é que a direita actual é continuadora? A resposta não é evidente?
Mais uma vez concordo inteiramente com essa filiação (da esquerda à oposição à ditadura) mas duvido que mais este monopólio da esquerda deixe muito contentes alguns dos que se reclamam de direita.
Depois… depois o verniz quebra-se, parte-se em mil pedaçcos, isto é: sai o gato do saco, como diz o povo.
Depois de falar na “bonomia do seu carácter”, (de Sampaio note-se, não do cronista) este opõe a atitude que lhe atribui (a Sampaio) como uma “lição para o PS actual, cuja falência moral é espelhada diariamente com a mais despudorada naturalidade”. Palavra do cronista. Assim mesmo com a “despudorada naturalidade é espelhada a falência moral do PS actual”. Nem mais nem menos. É o cronista Jorge Correia que escreve e quem quiser que faça fé nele, que o acredite sob palavra.
Eu acredito que esta linguagem deve ser a linguagem comum dos energúmenos que molestaram Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, uma linguagem que, só por si, caracteriza um inimigo da liberdade, isto é, um agente do despotismo. Ou um ideólogo fanatizado do Trump ou do Bolsonaro. É a linguagem do Senhor Jorge Correia, cronista do jornal “A Voz de Portugal” de Montreal.
E assim o mote está dado.
Depois é so recitar o catecismo que ele não se cansa de repetir: “dificuldade dessa geração de políticos de esquerda em compreender e aceitar os príncipios mínimos de economia” diz. Como se o PS alguma vez tivesse feito outra coisa do que “compreender e aceitar” na prática como na teoria, esses princípios bem mínimos.
Quais sejam esses princípios e esses mínimos é que é o verdadeiro problema. Parece que nem o presidente dos Estados-Unidos e as multinacionais americanas estão muito de acordo entre si sobre certos princípios mínimos de imposto às multinacionais através do mundo. Quer agora o Senhor Jorge Correia estabelecer princípios mínimos? O mínimo do salário do trabalhador, por exemplo? Ou o máximo do PDG ou do accionário? Ou cortar as asas aos capitais que fogem para os paraísos fiscais? Ou assegurar um financiamento adequado dos serviços de saúde e de educação? Ou financiar, como a situação o exige, a transição energética de que depende a vida da Humanidade sobre o planeta?
Tudo isto são questões que não se enquadram com a sua visão redutora dos “princípios mínimos de economia”.
Em economia há tantas opinioes como economistas e mesmo aqueles que não são economistas como o cronista e o autor destas linhas têm algumas ideias sobre economia. Embora incontáveis, as principais correntes reduzem-se essencialmente a dois polos: o da economia do trabalho e o da economia do capital. Cada economista individualmente considerado representa uma nuance de um ou outro destes dois polos. Em qual deles é que o cronista se situa?
Vitupera o cronista a frase “há mais vida para além do défice” ou “há mais vida para além do orçamento”. E lamenta-se que “ainda hoje temos o PS, em coligação com o PCP e o Bloco de Esquerda” “persistindo no princípio errado” de “não compreender os princípios mínimos de economia”.
Esses “princípios mínimos de economia” exactamente porque mínimos e de economia não podem deixar de ser redutores precisamente porque encaram o homem e a sociedade por uma só das suas dimensões (a dimensão económica) e não só uma só dimensão mas essa dimensão tal como ela existe actualmente.
A minha pregunta será assim: queremos nós, devemos nós e podemos nós, humanos, sabendo o que sabemos do estado da economia mas sobretudo do estado da sociedade e do estado ecológico do planeta, continuar a subordinar a vida de todos e de cada um à economia (e não a uma economia qualquer, à economia actual, à economia do capital) ou, ao contrário, deve a vida de todos e de cada um primar sobre a economia e, desde logo e em primeiro lugar, sobre a economia do capital?
Eis as questões que me parecem dever ser abordadas e que um cronista político deveria estudar honestamente e sériamente em vez de repetir semana após semana o catecismo estafado do Santo Mercado, da Santa Empresa e do Santo Cifrão. A actual pandemia deveria ter-nos ensinado a todos que há muita coisa muito mais importante do que a economia, pelo menos do que a economia tal como ela tem sido imposta desde Thatcher e Reagan até à actualidade. Alguns dos principais governos têm dado alguns sinais, embora frágeis e precários, de se ter começado a esboçar uma resposta menos má do que as seguidas até agora por praticamente todos os governos, de todos os países e de todos os partidos, incluindo o de Jorge Sampaio, nos ultimos 40 anos. O abandono do dogma do equilíbrio orçamental, a proposta de Biden para o imposto sobre as multinacionais e a retirada dos Estados-Unidos do Afganistão pondo termo a 20 anos de guerra, são alguns dos sinais que nos levam a crer que podemos estar a entrar numa nova etapa. Os ideólogos dogmáticos atacados de psiticismo continuam aquilo que só sabem fazer que é repetir ad nauseam as lições da catequese respectiva, afectando desprezar o significado dos factos que as refutam. No entanto, a vida em todas as suas dimensões acaba sempre por triunfar, relegando ao caixote do lixo da História todos os dogmas e todos os doutrinários.
Como muito bem cantava o grande artista que foi José Mario Branco, também há pouco desaparecido, na canção que tem por título “Qual é a tua, ó meu?” também nós devemos dizer “P’ra esse peditório o pessoal já deu!”

Escrito por Fernando Costa

Jorge Sampaio, 1939-2021

Tenho dificuldade em endeusar pessoas que acabam de falecer pois eles encarnam o espírito da época que viveram com todas as qualidades e defeitos destes. Dito isto, não nos deve impedir de reconhecer as qualidades do homem ainda que discordemos mais ou menos das suas ideias e opções políticas.
O desaparecimento do ex-presidente Jorge Sampaio nos últimos dias fez de imediato recordar o homem que lutou pela esquerda, o homem preocupado com a condição humana.
O seu lado sentimental ficou para a história, talvez por vezes excessivo, mas que sem dúvida foi uma marca da sua personalidade.
A luta pela liberdade em Portugal assim como o seu papel aquando da independência de Timor serão talvez os selos mais fiéis ao homem que amava a liberdade.
À semelhança de muitos seus contemporâneos na oposição e luta contra o regime salazarista, o seu posicionamento na esquerda política é natural e encaixa bem com a sua maneira de ser e estar, posicionamento esse que manteria ao longo da sua vida.
A bonomia do seu carácter, reconhecida por simpatizantes e não simpatizantes, é talvez uma lição para o próprio PS atual, cuja falência moral é espelhada diariamente com a mais despudorada naturalidade.
Contudo, a par com esse lado humano recheado de preocupações sociais, temos também o homem que encarna a dificuldade dessa geração de políticos de esquerda em compreender e aceitar os princípios mínimos de economia.
Célebre ficará a frase “há mais vida para além do orçamento”, muitas vezes erradamente referenciada como “há mais vida para além do défice”. Ainda hoje temos o PS, agora em coligação informal com o partido comunista (PCP) e bloquistas (BE) persistindo no errado princípio de que ignorando um problema que não pretendemos reconhecer, este se resolverá por si mesmo.
Não resolve, apenas agrava, e cedo ou tarde virá o remédio amargo.
Já tivemos esse problema com António Guterres, sobre a presidência de Jorge Sampaio; tivemos o mesmo problema com Sócrates sobre a presidência de Cavaco Silva; temos o mesmo problema agora, apenas encapuçado pela flexibilidade das regras orçamentais europeias e à intervenção do banco central europeu (BCE) devido à crise pandémica.
Quando alguém desaparece por falecimento é um capítulo que se fecha.
Mas assim como ao lermos um livro, quando terminamos um capítulo sabe bem fazer uma pequena pausa e refletir sobre o que esse capítulo nos trouxe, o que nos ensinou e como devemos absorver as suas lições para os próximos capítulos. É isto que falta em Portugal, a vários níveis, e tenho pena que o desaparecimento de Jorge Sampaio não seja mote para um refletir sobre o estado atual do país e da política que assiste, ou que pretende assistir aos interesses do país. Assim como Jorge Sampaio tinha dificuldades em compreender a necessidade de uma economia sustentável e robusta que permita ser solidária com aqueles que realmente precisam, temos ao fim de meio século após revolução, a mesma dificuldade em compreender e aceitar essa realidade, agora muito mais inacessível pela criação de ilusões em torno de uma vida fácil baseada em dívida insustentável.
Se Jorge Sampaio nos ensinou que a sensibilidade pode e deve fazer parte da nossa postura, por outro lado leva-nos também a refletir que esta não deve impedir a racionalidade e o reconhecimento das necessidades reais do país e de uma população.

Escrito por Jorge Correia

Festa de Nossa Senhora dos Milagres

Na sua vigésima nona edição, a comissão organizadora da festa de Nossa Senhora dos Milagres, tentou organizar o mais possível a dar um brilho nas festividade da Nossa Senhora dos Milagres.
É claro que não se pode fazer uma grandiosa festa com artistas e ter 1500 pessoas na igreja nem no Centro Comunitário A.P.E.S. de Hochelaga.
Mas, apesar de tudo, o centro teve muita gente durante toda a semana e podemos dizer que sábado esteve bastante animado com muita alegria, e bons tocadores. Para as pessoas que tinha saudades das lindas tradições portuguesas e principalmente terceirense falharam e grande porque era momentos históricos para as pessoas que vieram ver o espetáculo musical.
E, claro, tudo estava em régra.
Nestas celebrações podemos apreciar o desenvolvimento de uma semana com muita alegria e fé e uma peregrinação da Santa Cruz até ao Centro Comunitário de Hochelaga…
No domingo, a missa solene foi presidida pelo Reverendo Padre Marcel Masson e a animação esteve a cargo do Grupo Coral de Santa Cruz. Logo após a celebração, todos foram.
No último ano houve só 4 pessoas que foram ao Centro, e desta vez a casa estava cheia, e a equipa da cozinha tentou servir todos os presentes de uma maneira profissional mas nunca sabemos o que iria acontecer. No final todos comeram muito bem, e todos adoraram o ambiente de amizade e familial.
Muitos parabéns à comissão organizadora e a todos que trabalharam para esta linda festa em Louvor à Senhora dos Milagres. A direção informa que dentro duas semanas o Centro estará aberto para todos às sextas-feiras, haverá um jantar bem saboroso e que a ementa vai ser informado na próxima edição do jornal A Voz de Portugal. Fica atento.

Já lá vão 15 anos, um tiroteio no Dawson College

Quinze anos após,… um tiroteio foi no Dawson College em Montreal, e que custou a vida de uma estudante, Anastasia De Sousa e ferindo 16 outros, a escola concentrou-se a promover a paz, paz entre eles,… paz entre países e paz entre continentes.
Hoje em dia, é difícil acreditar que isto aconteceu. Eu me lembro há cinco anos quando o colégio Dawson tinham feito um evento comemorativo sobre a morte de Anastasia e todos estavam a falar sobre o controlo das armas e sobre paz. E a canção de John Lennon foi tocado dando a importância de imaginar um mundo sem guerra, sem armas sem terror,… “Imagine não haver o paraíso; é fácil se você tentar; nenhum inferno abaixo de nós; acima de nós, só o céu; imagine todas as pessoas; vivendo o presente; imagine que não houvesse nenhum país; não é difícil imaginar; nenhum motivo para matar ou morrer; e nem religião, também; imagine todas as pessoas; vivendo a vida em paz”.
Hoje em dia com as eleições bastante pertinho e que um dos assuntos importantes é o controlo das armas.
E que há um partido que está mais relaxado sobre este assunto, todos devem se lembrar o que aconteceu no 13 de setembro no Colégio Dawson. Não se deve esquecer esta história de horror nesta escola, porque isto pode acontecer em qualquer escola, e não devemos permitir e facilitar a possibilidade a venda destas armas.
Descansa em paz Anastacia De Sousa, a luta continua para o controlo das armas e espero que o governo canadiano que vai ser eleito no dia 20 de setembro vai continuar a lutar no bom sentido e melhorar as nossas vidas.
Ao menos o Primeiro-Ministro foi visitar o jardim Anastacia de Sousa no Colégio Dawson para comemorar este evento.
Onde estão os outros candidatos?

O Valor das Aparências

Como é do conhecimento geral, o valor das aparências é sempre grande. Costuma até dizer-se que mais vale ser que parecer. Infelizmente, o mundo está repleto de aparências, muitas vezes intencionalmente debitadas como realidades, mas que nunca existiram. Até em obras de gente de renome tal realidade aparece com alguma frequência.
Ora, em certa entrevista recente a uma rádio, o Papa Francisco salientou que é preciso acabar com a política irresponsável de intervir e construir a democracia noutros países, ignorando as tradições dos povos, criticando, deste modo, o envolvimento de duas décadas do Ocidente no Afeganistão. E teve, nesta sua intervenção, a mais cabal razão. Infelizmente, o Vaticano, por via dos antecessores de Francisco, raramente tratou com este realismo as infindas intervenções dos Estados Unidos por partes diversas do mundo, ao longo de muitas décadas e com trágicos resultados.
Acontece que esta correta crítica também havia sido feita pelo Presidente Vladimir Putin, num encontro recente com Angela Merkel, o que mostra que Putin e Francisco compreenderam bem a realidade desde sempre praticada pelos Estados Unidos e por todo o mundo. Simplesmente, as voltas terão sido trocadas a Francisco, porventura sem intenção.
A uma primeira vista, o Papa Francisco terá referido o que se lhe ouviu, mas na convicção de que o respetivo conteúdo havia sido debitado por Angela Merkel, que também qualificou como uma das maiores figuras políticas do mundo. Simplesmente, a tal correta constatação fora de Vladimir Putin e não da chanceler alemã. Bom, num ápice a grande comunicação social veio a público referir o erro, embora de pronto passasse ao silêncio. Talvez assim se conseguisse minimizar os estragos de mostrar que Francisco concordava com o que Vladimir Putin dissera na presença de Merkel, em Moscovo.
Nesta recente visita de Merkel à Rússia, o Presidente Putin apontou que a rápida conquista do Afeganistão pelos taliban, mostrou a futilidade das tentativas dos Estados Unidos e aliados – joguetes, digo eu – para impor a sua própria visão de democracia. E tudo isto com Merkel a admitir que a operação não conseguiu proporcionar um futuro claro aos afegãos.
No entretanto, lá nos foi dado escutar a possível explicação do Vaticano sobre o sucedido. Bom, Steffen Seibert, porta-voz do Papa, recusou comentar diretamente as declarações de Francisco… É caso para que se diga: bruxo… Complementarmente, a estação da rádio vaticana veio garantir que o conteúdo foi examinado previamente pelo próprio Papa. Ou seja, este concordou, afinal, com o que havia sido dito pelo Presidente Vladimir Putin.
Por fim, um dado curioso, reconhecido por Angela Merkel: as metas do Ocidente podem ter sido demasiado ambiciosas e as diferenças culturais e a corrupção podem ter sido subestimadas. Infelizmente, a corrupção foi, também aqui, um instrumento da política dos ocupantes norte-americanos. No meio dela, o espetacular crescimento da cultura do ópio, como nos foi dado ver, há já uns bons anos, pela conversa de certo major norte-americano: preferiram não lhes pôr um fim…
Deixo ao leitor esta pergunta: acaso o Papa Francisco sabia, de facto, que aquelas corretas considerações haviam sido proferidas pelo Presidente Putin? Pelo meu lado, não acredito, o que significa que os factos não valem só por si, mas por quem os protagoniza. Se for Putin a dizer que 2 + 2 = 4, no Ocidente terá de se dizer que o resultado é 5. É o que a História sempre nos mostrou, para o que basta recordar os casos Skripal e Kashoggi.

‘Seinfeld’ já tem data de chegada à Netflix

A Netflix anunciou que será no dia 1 de outubro que ‘Seinfeld’ chegará ao serviço de streaming, colocando portanto um fim à especulação sobre a data de lançamento da icónica série de comédia.
Estarão disponíveis na Netflix todos os 180 episódios de ‘Seinfeld’ (divididos por 9 temporadas), dando aos fãs da série a possibilidade de a rever na totalidade. Quem nunca tenha visto ‘Seinfeld’ também terá aqui uma oportunidade de ‘ouro’ para ver aquela que é considerada uma das melhores séries do género.
Há algum tempo que se espera pela chegada de ‘Seinfeld’ à Netflix, sobretudo desde as notícias da saída de ‘Friends’ que, neste momento, só se pode encontrar na HBO. (N.A.M)

Morreu Jean-Paul Belmondo (1933-2021)

Morreu o ator francês Jean-Paul Belmondo, um dos grandes símbolos do cinema europeu, confirmou à France Press o advogado da estrela de cinema.
Os rumores sobre um alegado agravamento do estado de saúde de Belmondo até tinham sido desmentidos pelo amigo e também ator Antoine Duléry, numa entrevista à Telestar difundida no sábado.
Duléry contou ter almoçado com Belmondo na segunda-feira anterior. “Um excelente momento”, disse, acrescentando, sobre Belmondo, tratar-se de “um homem de 88 anos, já não é um jovem, mas estava bem”. “Os rumores são falsos”, assegurava Dulery.
Na conta oficial de Facebook, Luana, uma das filhas de Belmondo, fez uma publicação esta segunda-feira de manhã, mas sem qualquer referência ao pai.
A má notícia viria no entanto a confirmar-se. O advogado do ator francês confirmou esta segunda-feira à France Press a morte de Jean-Paul Belmondo.
Jean-Paul Belmondo nasceu a 9 de abril de 1933, em Neuilly-sur-Seine, em França, filho de um escultor de origem siciliana natural da Argélia e de uma pintora francesa. O ator estreou-se na carreira artística em 1953, de forma amadora. Estudou arte dramática e em 1956 participou no primeiro filme, “Les Copains du Dimanche” (“Os Companheiros de Domingo”, em tradução literal).
Ganhou projeção na década de 60 e tornou-se estrela do cinema mundial na de 70. Em 2001, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), recuperou e abrandou no trabalho. Até agora. (Euro News)

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